SUCEN ainda não autoriza município a aplicar “Fumacê” contra a dengue

 

A SUCEN – Superintendência do Controle de Endemias, explica que utilização do carro Fumacê só é indicada em localidades onde existe alto índice de infestação do aedes aegypti, equivalente a 5%, e transmissão da dengue com casos notificados, de acordo com as normas do Ministério da Saúde. As cidades da região ainda estão em “Baixo Risco”, ou seja, a utilização do carro Fumacê não é recomendando, pois se pode estar criando insetos resistentes em caso de epidemia.

Hoje, a aplicação de Fumacê está sendo realizada de forma indiscriminada no meio ambiente. Condomínios residenciais contratam firmas particulares para pulverizar o produto periodicamente. Em alguns casos, a frequência é de até três vezes por dia, quando a recomendação do Ministério da Saúde vale para, no máximo, cinco aplicações por período de dengue e, exclusivamente, para situações de epidemia.

Na verdade, o Fumacê é uma estratégia usada para controlar a transmissão e não para eliminar o mosquito. O ideal é o controle das formas larvárias, ou seja, o controle do criadouro ao longo do ano – conforme afirma o Laboratório de Fisiologia e Controle de Artrópodes Vetores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC / Fiocruz).

Segundo a superintendência, um dos motivos porque se controla o uso do Fumacê é, justamente, por não ser a estratégia mais eficiente. O inseticida mata o mosquito adulto apenas se estiver voando, se atravessar a fumaça e se o vento não estiver muito forte. O que representa, na prática, uma parcela muito pequena da população total de vetores.

Isso porque, normalmente, o mosquito se esconde na cortina, debaixo da mesa ou da cama, locais onde o Fumacê não vai atingir. Além disto, existe uma série de requisitos para que este procedimento funcione, como ausência de vento forte, necessidade de calibração do tamanho das gotas eliminadas pelo equipamento, atenção ao horário de aplicação, que deve ocorrer nos momentos de maior atividade do mosquito, entre outros.

Cientistas observam que o uso de carros Fumacê com bastante frequência pode resultar um efeito inverso e, em vez de eliminar o mosquito, pode contribuir para que ele fique resistente à ação do veneno e, com isso, se torne ainda mais difícil o combate aos vetores da doença.

Os carros Fumacê não têm sido utilizados na maioria das cidades, especialmente por que é dada preferência a técnicas de prevenção ao surgimento do mosquito. O carro UVV (Fumacê) tem critérios para ser utilizado e o recomendado é que se faça uma busca ativa do criadouro e a eliminação deste. Com relação ao tratamento com o carro Fumacê, é preciso seguir rigorosamente algumas regras para que a ação cause o pequeno efeito estimado. Ou seja: o veículo só pode circular à noite (18hs às 22hs) e pela manhã (das 4hs às 7hs), períodos onde não há presença do sol.

Já foi alardeado a todos que a melhor forma de se evitar a dengue é combater os focos de acúmulo de água, locais propícios para a criação do mosquito transmissor da doença. Para isso, é importante não acumular água em latas, embalagens, copos plásticos, tampinhas de refrigerantes, pneus velhos, vasinhos de plantas, jarros de flores, garrafas, caixas d´água, tambores, latões, cisternas, sacos plásticos e lixeiras, entre outros, ou seja, todos os materiais que podem facilmente ser retirados e eliminados enquanto potenciais criadouros.

Foto: Divulgação

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