Advogado denuncia descaso do INSS e critica demora em perícias

O advogado Ernesto Nóbile, especialista em previdência social, denunciou à imprensa o que considera um “total descaso e falta de senso humanitário” por parte dos dirigentes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo ele, a situação no órgão “ultrapassou todos os limites da paciência” e exige intervenção do presidente da República para uma “limpeza geral”.

Nóbile criticou a paralisação prolongada de peritos ao longo do ano passado, mesmo com salários elevados, o que, segundo ele, prejudicou milhões de segurados que dependiam de perícias médicas para ter acesso a benefícios.

O advogado relatou o caso de um cliente que, em fevereiro deste ano, solicitou aposentadoria ou auxílio-doença após ser vítima de uma tentativa de homicídio com agressões brutais, registradas em vídeo. A vítima ficou com sequelas físicas e psicológicas, incluindo depressão, síndrome do pânico e transtorno de estresse pós-traumático, de acordo com laudos médicos que recomendavam aposentadoria por invalidez permanente ou, no mínimo, 18 meses de afastamento.

Segundo Nóbile, a perícia foi realizada em 20 de junho, mas durou menos de cinco minutos. O perito teria se recusado a analisar as imagens da agressão e não leu integralmente os laudos. No dia seguinte, concedeu apenas dois meses de afastamento, contrariando, segundo o advogado, a legislação que prevê a contagem do benefício a partir da data do pedido.

Indignado, Nóbile ingressou com recurso administrativo e novo pedido de perícia em 17 de agosto. O INSS marcou a avaliação para 29 de agosto, mas, ao comparecer com o cliente, o advogado foi informado de que “o sistema havia caído” e que todas as perícias foram desmarcadas, sendo reagendadas para 20 de outubro.

Para Nóbile, a situação é “um absurdo inaceitável” e exige medidas urgentes. “Faltam mais de mil funcionários no INSS. Estão cometendo um pecado contra quem necessita do órgão”, afirmou o advogado.

Fonte: Em Dia Com A Notícia