Julho ou novembro? O dilema da FICAR 2025

O anúncio da realização da FICAR 2025 movimentou Assis nesta semana e trouxe consigo uma polêmica inesperada: a mudança da data. Pela primeira vez, a tradicional feira agropecuária e de entretenimento não acontecerá em julho, mês em que se consolidou ao longo das décadas e que marca também o aniversário da cidade. Em vez disso, o evento foi confirmado para novembro, reacendendo discussões sobre os impactos econômicos, culturais e sociais dessa decisão.

Historicamente, julho sempre foi visto como o mês ideal para a FICAR. Além de estar associado às festividades do aniversário de Assis, coincide com o período de férias escolares, favorecendo a presença de famílias inteiras. O clima mais ameno do inverno contribui para a permanência do público em shows, rodeios e demais atrações, e o comércio local se beneficia do movimento extra sem comprometer as vendas de fim de ano. Para muitos, essa tradição não é apenas uma questão de calendário, mas parte da identidade cultural da cidade.

A escolha de novembro, no entanto, traz novos elementos à mesa. O calor e a proximidade com as festas de fim de ano podem oferecer ao evento uma atmosfera ainda mais festiva. O turismo regional também tende a se fortalecer, com público atraído pela ideia de aproveitar o início do verão em um grande evento de lazer. Mas é justamente aqui que nasce a polêmica: para comerciantes e empresários locais, a data pode se tornar uma faca de dois gumes. De um lado, gera fluxo de pessoas e movimento econômico; de outro, pode competir diretamente com o comércio natalino, que concentra o maior volume de vendas do ano.

A novidade também surpreendeu o Legislativo. Vereadores manifestaram estranheza pela falta de debate prévio, apontando a importância de envolver a Câmara, a Associação Comercial e outras entidades representativas em decisões que impactam diretamente o calendário econômico da cidade. Essa ausência de diálogo inicial acabou gerando desconfiança, mesmo com a Prefeitura reforçando que o evento será organizado pela iniciativa privada e sem custos para os cofres públicos.

Entre a tradição de julho e a novidade de novembro, a verdade é que a FICAR carrega uma força que transcende a data. Ela é um patrimônio cultural e econômico de Assis, capaz de reunir diferentes setores em torno de um mesmo propósito: celebrar a identidade local e promover desenvolvimento. Talvez o maior desafio não esteja em escolher o mês, mas em encontrar um ponto de equilíbrio. Com diálogo, planejamento e participação das entidades, a polêmica pode se transformar em oportunidade — e a FICAR 2025, em mais um capítulo de sucesso na história da cidade.

Por Rodrigo de Souza