Polícia conclui inquérito de caso de menino encontrado esquartejado; tentativa de abuso sexual motivou o crime
A Polícia Civil concluiu as investigações do caso Mateus Bernardo Valim de Oliveira, de dez anos, que desapareceu no dia 11 de dezembro de 2024 após sair de casa para andar de bicicleta em Assis (SP) e foi encontrado morto e esquartejado.
De acordo com o inquérito, Luis Fernando Silla de Almeida, vizinho da vítima que está preso desde o dia 17 de dezembro, quando o corpo de Mateus foi encontrado, agiu sozinho e praticou o crime após uma tentativa de abuso sexual contra o menino.
Apesar das análises periciais no corpo da criança não apresentarem provas de abuso sexual, a polícia concluiu que, quando o suspeito levou Mateus até o local do crime sob o pretexto de fazer um piquenique, Luis Fernando tentou abusar sexualmente do garoto, que reagiu e essa reação foi o que motivou as agressões.
Tiago Bergamo, delegado responsável pelo caso, já havia afirmado durante uma coletiva de imprensa que o suspeito havia relatado sobre esse desentendimento: “Um arremessou pedras no outro, até que ele arremessou uma pedra na criança, e percebeu, depois ali, que ela já estava sem vida”.
O suspeito, para tentar escapar do crime, esquartejou o corpo da vítima e, apesar dos esforços, não foram encontradas todas as partes do corpo de Mateus, que foi enterrado no dia 20 de dezembro por decisão da família.
A prisão temporária do acusado foi convertida em preventiva e Luis Fernando seguirá preso por tempo indeterminado.
Além disso, o caso agora foi encaminhado ao Ministério Público, que já propôs ação penal nos crimes de homicídio qualificado pelo motivo torpe e meio cruel, meio que impossibilitou a defesa da vítima, ocultação de cadáver, estupro de vulnerável e fornecimento de bebida alcóolica a criança/adolescente.
Relembre o caso
Mateus desapareceu no dia 11 de dezembro, após sair de casa para andar de bicicleta pela vizinhança, no bairro Vila Glória, em Assis.
Imagens de câmeras de segurança registraram o menino pedalando sozinho pela Rua André Perini, cerca de um quilômetro do local onde seu corpo foi localizado.
No vídeo, Mateus aparece vestindo uma camiseta azul e shorts, sem ser abordado por ninguém. No entanto, no dia 16 de dezembro, a polícia teve acesso a outras imagens que mostram o garoto acompanhado do suspeito na região da área de mata.
Investigação e prisão
Luis Fernando Silla de Almeida, de 46 anos, vizinho da vítima, foi ouvido pela polícia na manhã do dia 17 de dezembro, junto com outras sete testemunhas.
Durante o depoimento, ele apresentou versões contraditórias, o que levantou suspeitas. O homem foi liberado após prestar depoimento, mas acabou sendo preso em sua casa no mesmo dia, depois que o corpo do menino foi encontrado.
Confissão
Durante depoimento, o suspeito confessou o homicídio e detalhou que levou o menino ao rio na área de mata, onde ocorreram “agressões”.
Ele afirmou que arremessou uma pedra em Mateus, causando sua morte, e que voltou para casa para buscar uma serra, com a qual desmembrou o corpo da criança.
Após a prisão, a polícia fez novas buscas na casa do suspeito e encontrou animais mortos no local.
Segundo as investigações, Mateus frequentava a casa de Luis Fernando, onde eles consertavam bicicletas juntos. Ainda conforme a polícia, o ato do suspeito de ajudar crianças com consertos de bicicletas era comum.
Durante coletiva de imprensa no dia 18 de dezembro, o delegado Tiago Bergamo descreveu essa relação de proximidade do suspeito com a vítima como um “cavalo de Tróia”.
A expressão vem da mitologia grega: os gregos escondiam soldados dentro de um cavalo de madeira para enganar os troianos e invadir a cidade. No contexto do caso, o suspeito teria, segundo o delegado, se aproximado da família de forma confiável, mas com intenções suspeitas.
O delegado também revelou que, ao confessar o homicídio aos policiais, o vizinho disse ter ouvido vozes que o incentivaram a cometer o crime e que sentia inveja da alegria das crianças do bairro, motivo pelo qual buscava se aproximar delas.
Além disso, ainda segundo o delegado, Luis Fernando afirmou que costumava frequentar o local onde o corpo foi encontrado com a vítima e até com sua família, dizendo que iriam nadar e passar o dia juntos.
Fonte: G1.